Pensão por morte para quem mora em Itabela
Resposta rápida
Em Itabela, quase metade das pensões por morte é rural: 23 das 47 concedidas em um ano. E 20 só saíram com decisão judicial. Quando quem morreu era lavrador e nunca pagou carnê, a família precisa provar o trabalho dele na roça.
Por Telmo Padilha, OAB/BA 76.527
Atualizado em
Telmo PadilhaOAB/BA 76.527
Mande uma mensagem contando o seu caso, por escrito ou em áudio.
Falar no WhatsAppPensão por morte em Itabela, em números
- famílias de Itabela passaram a receber pensão do INSS em um ano
- 47famílias de Itabela passaram a receber pensão do INSS em um ano
- dessas pensões eram rurais
- 23dessas pensões eram rurais
- só saíram com sentença
- 20só saíram com sentença
Fontes: INSS e IBGE (Registro Civil).
Quando o falecido era lavrador
Se o marido trabalhava na roça da família, ele era segurado especial, mesmo sem nunca ter pago o INSS. A pensão é devida, mas a família precisa mostrar que ele estava no trabalho rural quando morreu. Documentos da terra, notas de venda do café, CAF, carteira do sindicato e a própria certidão de óbito, se trouxer a profissão de lavrador, ajudam.
Se ele já era aposentado como rural, tudo fica mais simples: basta a carta de concessão da aposentadoria dele.
As negativas na agência de Itabela
Na agência do INSS de Itabela, 86 pedidos de pensão foram negados em 11 meses. Em 36, o INSS não aceitou a união estável. Em outros 11, não reconheceu que o falecido era segurado, o que quase sempre quer dizer que não aceitou a prova do trabalho rural dele.
Os dois problemas têm solução parecida: mais documento e, na Justiça Federal de Eunápolis, a meia hora pela BR-101, testemunhas que conheciam o casal e o trabalho dele.
A esposa da roça pode ter os dois
A viúva que também trabalhava na roça pode, além da pensão, ter direito à própria aposentadoria rural, aos 55 anos. Os documentos da família servem para os dois pedidos. Muitas recebem só a pensão e deixam a aposentadoria de lado sem saber.
Filhos menores e o prazo maior
Para o filho menor de 16 anos, o prazo para pedir a pensão desde a data da morte é maior: 180 dias, e não 90. Mesmo assim, não vale esperar. Quando a mãe pede para ela e para os filhos ao mesmo tempo, num pedido só, todos entram juntos e o valor da pensão já considera as cotas dos filhos, que somam 10% cada uma.
Você pode ter direito se
- Era casado(a) ou vivia em união estável com quem faleceu
- Quem faleceu era aposentado, recebia benefício do INSS ou contribuía (ou tinha parado há pouco tempo)
- É filho menor de 21 anos, ou filho de qualquer idade com deficiência ou invalidez
- Na falta de cônjuge e filhos, pais ou irmãos que dependiam financeiramente do falecido
Dúvidas de quem mora em Itabela
Meu marido era lavrador e nunca pagou o INSS. Tenho direito à pensão?
Tem, se ele era segurado especial e isso for provado. Não é preciso que ele tenha pago carnê. Junte os documentos do trabalho dele na roça e da vida de vocês juntos.
Ele trabalhava na colheita do café como diarista. Conta?
Conta, como trabalhador rural, mas a prova é mais difícil. Documentos com a profissão de lavrador e testemunhas de quem trabalhou com ele ajudam.
O INSS negou a pensão. Quanto tempo tenho para recorrer?
São 30 dias para o recurso no INSS. Para a ação na Justiça, não é preciso recorrer antes, mas quanto antes melhor, porque as parcelas atrasadas têm limite de cinco anos.
Base legal
- Lei 8.213/1991Planos de Benefícios da Previdência Social
- Emenda Constitucional 103/2019Reforma da Previdência e regras de transição
Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso. Cada situação depende dos documentos e das regras em vigor na data do pedido.