Dívidas com banco, leitura de 5 minutos

Como saber se os juros do financiamento do carro são abusivos

Telmo Padilha

Por Telmo Padilha, OAB/BA 76.527
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Resposta curta

Pegue a taxa de juros mensal escrita no contrato e compare com a taxa média do Banco Central para financiamento de veículos no mês em que você assinou. Ficar um pouco acima não basta: o que pesa é ficar bem acima da média. Depois, confira as tarifas e o seguro embutidos, que aparecem no CET.

Onde está a taxa no contrato?

O financiamento de veículo costuma ser feito por uma cédula de crédito bancário. Logo nas primeiras páginas há um quadro-resumo com o valor financiado, o número de parcelas e três números que importam:

  • Taxa de juros mensal: quanto o banco cobra por mês sobre o saldo devedor.
  • Taxa de juros anual: a mesma taxa, convertida para um ano.
  • CET (Custo Efetivo Total): os juros somados a tarifas, IOF e seguros. É o custo real do financiamento.

Como comparar com a média do Banco Central?

O Banco Central publica no próprio site a taxa média de juros de cada tipo de crédito, mês a mês, e as taxas cobradas por cada banco. Procure a modalidade de aquisição de veículos para pessoa física, que vale para carro e moto.

Compare a taxa mensal do contrato com a média do mês em que ele foi assinado, e não com a de hoje. Um exemplo com números ilustrativos: se a média daquele mês era 2% ao mês e o contrato cobra 3,5%, a diferença é grande e merece análise. Se o contrato cobra 2,2%, os juros provavelmente não são o problema.

Quanto acima da média é abusivo?

Não existe um percentual fixo na lei. A Justiça analisa caso a caso e não considera a taxa abusiva só por estar acima da média: o que costuma pesar é ficar muito acima dela, sem justificativa. Por isso a comparação é o começo da análise, não o resultado.

Juros sobre juros são proibidos?

Nos financiamentos bancários, em regra, não. Os juros compostos são permitidos quando estão previstos no contrato, e a Justiça entende que basta a taxa anual ser maior que doze vezes a mensal para isso estar previsto. Discutir só esse ponto raramente muda o valor da dívida.

Por que o CET é tão maior que os juros?

Porque há outros custos embutidos no valor financiado. Os que mais merecem atenção:

  • Tarifa de abertura de crédito (TAC) ou de emissão de carnê (TEC): não podem ser cobradas em contratos assinados desde 30 de abril de 2008.
  • Tarifa de cadastro: só pode ser cobrada no início do relacionamento com o banco, e não a cada novo contrato.
  • Tarifas de avaliação do bem e de registro do contrato: valem apenas se o serviço foi de fato prestado e o valor não é excessivo.
  • Seguro prestamista ou de proteção: é venda casada se você não pôde recusar o seguro ou escolher a seguradora.

Achei uma diferença. E agora?

Não pare de pagar por conta própria: discutir o contrato não impede a cobrança e, no financiamento de veículo, o atraso abre caminho para a busca e apreensão. Guarde o contrato, os comprovantes das parcelas e a comparação que você fez, e peça uma análise. Quando há abuso, a revisão pode recalcular a dívida e devolver o que foi pago a mais; quando não há, o melhor caminho costuma ser negociar.

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Outras dúvidas

Não tenho o contrato. Como descubro a taxa?

Peça a cópia ao banco, que é obrigado a fornecer. Enquanto isso, o carnê ou o aplicativo do banco mostram o valor financiado e as parcelas, o que já permite uma conta aproximada.

Financiamento de moto segue as mesmas regras?

Segue. A comparação é feita com a média do Banco Central para aquisição de veículos, e as regras sobre tarifas e seguro são as mesmas.

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso. As regras citadas são as vigentes na data da última atualização.

Conte o seu caso. A primeira conversa é para entender o que está acontecendo.