Dívidas com banco, leitura de 5 minutos

Tenho dívidas em vários bancos. Por onde eu começo?

Telmo Padilha

Por Telmo Padilha, OAB/BA 76.527
Publicado em , atualizado em

Resposta curta

Comece descobrindo tudo o que você deve: o Registrato, do Banco Central, mostra de graça as dívidas em todos os bancos. Depois, proteja as contas da casa, ataque primeiro as dívidas mais caras, como cartão e cheque especial, e só feche acordo com proposta por escrito. Se mesmo assim a conta não fecha, existe a Lei do Superendividamento.

Como descobrir tudo o que eu devo?

Muita gente não sabe o tamanho exato da própria dívida. O Registrato, sistema gratuito do Banco Central, mostra os empréstimos, financiamentos e cartões em seu nome em todos os bancos. O acesso é pelo site do Banco Central, com a conta gov.br.

Com o relatório em mãos, monte uma lista com cada dívida: o banco, o tipo de crédito, o valor da parcela, quantas faltam e se está em dia ou atrasada.

O que pagar antes do banco?

Antes de qualquer banco vêm a moradia, a luz, a água, o gás, a comida e os remédios. Depois, as dívidas com garantia, como o financiamento do carro, porque o atraso nelas pode levar à perda do bem. Pagar o banco e ficar sem luz não resolve o problema: só troca o credor.

Qual dívida do banco pagar primeiro?

Entre as dívidas sem garantia, comece pelas mais caras. As que mais pesam costumam ser:

  • Rotativo do cartão de crédito: desde 2024, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida, mas ainda são dos mais altos do mercado.
  • Cheque especial: os juros têm teto de 8% ao mês, o que continua sendo muito.
  • Empréstimo pessoal sem desconto em folha.

Vale trocar uma dívida cara por uma mais barata?

Pode valer. A portabilidade de crédito permite levar a dívida para outro banco que cobre juros menores, sem custo para você: o banco novo quita o antigo. Peça simulações a mais de um banco e compare o CET, e não só o valor da parcela.

Cuidado com o consignado: os juros são menores, mas o desconto sai direto do salário ou do benefício, por anos, e diminui a renda que sobra para o mês.

Como negociar sem cair em golpe?

  • Negocie pelos canais oficiais do banco, em mutirões de renegociação ou pelo consumidor.gov.br.
  • Só aceite acordo com proposta por escrito, mostrando o valor total, o número de parcelas e os juros.
  • Não pague a terceiros que prometem limpar o seu nome ou cortar a dívida pela metade sem ver o contrato.
  • Antes de fechar, confira se a parcela cabe na renda: acordo que quebra no segundo mês deixa a situação pior.

E se a conta não fecha?

Quando, mesmo com tudo organizado, as parcelas somadas não cabem na renda sem faltar o básico, a Lei do Superendividamento permite reunir as dívidas de consumo num plano de pagamento de até cinco anos, que preserva o mínimo para viver. Vale também revisar os contratos: juros muito acima da média, tarifas e seguros que você não pediu diminuem a dívida antes de qualquer plano.

Tudo sobre o assuntoRedução de dívidas (superendividamento)

Outras dúvidas

O banco pode ligar para o meu trabalho cobrando a dívida?

O banco pode cobrar, mas a lei proíbe expor quem deve ao ridículo, constranger ou ameaçar. Cobrança que envolve colegas, chefe ou vizinhos, ou ligações em excesso, pode ser abusiva. Guarde prints e gravações.

Quanto tempo o meu nome fica negativado?

No máximo cinco anos pela mesma dívida. Depois que a dívida é paga, o credor tem cinco dias úteis para pedir a retirada do seu nome do cadastro.

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso. As regras citadas são as vigentes na data da última atualização.

Conte o seu caso. A primeira conversa é para entender o que está acontecendo.