A dívida do cartão e do cheque especial virou uma bola de neve

Resposta rápida

Cartão de crédito e cheque especial têm os juros mais altos do mercado, mas não sem limite: o cheque especial tem teto de 8% ao mês, e os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida. Quando o banco cobra além disso, ou muito acima da média do mercado, cabe revisão, e a negociação para quitar a dívida pode chegar a descontos de até 80%.

Telmo Padilha

Por Telmo Padilha, OAB/BA 76.527
Atualizado em

Sua dívida merece análise se

  • Você paga o mínimo da fatura há meses e a dívida não diminui
  • Usa o cheque especial todo mês, como se fosse parte do salário
  • O banco parcelou a fatura ou o saldo do cheque especial e a parcela ficou maior do que você esperava
  • Aparecem na fatura ou no extrato seguros, tarifas ou serviços que você não pediu
  • Os juros cobrados parecem passar dos limites da lei

Documentos que você vai precisar

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O que eu confiro no seu contrato

  • Taxa de juros

    Comparada com a taxa média do Banco Central para o mesmo tipo de crédito, no mês em que você assinou.

  • Custo Efetivo Total (CET)

    Se o custo total informado no contrato bate com o que você paga de fato, somando juros, tarifas, IOF e seguros.

  • Tarifas

    Cadastro, abertura de crédito, emissão de carnê, avaliação do bem, registro e pacote de serviços da conta: se podiam ser cobradas e se o serviço de fato existiu.

  • Seguros e capitalização

    Seguro prestamista, seguro da fatura ou título de capitalização incluídos sem você escolher, o que é venda casada.

  • Encargos de atraso

    Multa, juros de mora e comissão de permanência somados além do que a lei e o contrato permitem.

Os limites que a lei impõe

O banco pode cobrar juros altos no cartão e no cheque especial, mas existem regras que pouca gente conhece:

  • Cheque especial: desde janeiro de 2020, os juros não podem passar de 8% ao mês.
  • Rotativo do cartão: o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco precisa oferecer um parcelamento, em condições melhores.
  • Rotativo e parcelamento da fatura: desde janeiro de 2024, os juros e encargos somados não podem passar do valor original da dívida. Quem deixou R$ 1.000 em aberto não pode ser cobrado em mais de R$ 1.000 de juros e encargos por essa dívida.

O que mais aparece na análise

  • Juros muito acima da média do Banco Central para cartão ou cheque especial no mesmo mês.
  • Seguro da fatura, seguro contra perda e roubo, título de capitalização ou pacote de serviços cobrados sem que você tenha contratado.
  • Encargos de atraso somados além do permitido: comissão de permanência junto com juros e multa, ou multa acima de 2%.
  • Parcelamentos e renegociações em sequência, cada um levando os juros do anterior.

Como funciona a revisão

Com as faturas e os extratos, refaço a conta com os juros e encargos permitidos e comparo com o que o banco cobrou. Se houver diferença, ela vira o valor a negociar com o banco ou o pedido da ação revisional, incluindo a devolução do que foi pago a mais.

Não precisa ter todos os papéis para começar: o banco é obrigado a fornecer as faturas e os contratos, e isso pode ser pedido no próprio processo.

Antes de aceitar o parcelamento do banco

Parcelar a fatura ou o cheque especial pode aliviar o mês, mas olhe o Custo Efetivo Total (CET) e o valor final antes de aceitar. Se você já aceitou, ainda dá para discutir o que foi cobrado antes: a renegociação não apaga as ilegalidades dos contratos anteriores.

Perguntas frequentes

Paguei o mínimo por anos. Posso pedir de volta o que paguei a mais?

Se houve cobrança acima do permitido, sim, respeitado o prazo legal, que é contado de cada pagamento. Por isso, quanto antes a análise começar, mais meses entram na conta.

Posso parar de pagar a fatura enquanto discuto?

Depende. Em alguns casos, a suspensão dos pagamentos pode fazer parte da estratégia adotada. Porém, essa decisão deve ser tomada somente após análise individual do contrato e orientação profissional, pois pode gerar juros, cobrança e negativação.

Tenho cartão e cheque especial em bancos diferentes. Revisa tudo?

Cada contrato é analisado separadamente. Se as dívidas somadas já não cabem na sua renda, veja também a página sobre redução de dívidas.

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso. Cada situação depende dos documentos e das regras em vigor na data do pedido.

Conte o seu caso. A primeira conversa é para entender o que está acontecendo.